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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Problema da dispersão das construções e das urbanizações no espaço rural no Vale do Ave.


Se há um traço e uma problemática em comum entre os municípios do vale do Ave, e como tal merecedora da atenção dos respectivos municípios e associações intermunicipais nomeadamente: AMAVE  E ADRAVE... esse problema denomina-se urbanização difusa!  É por conseguinte uma problemática actual, e extremamente complicada de lidar.  Muito se tem dito sobre ele, principalmente nos estados unidos onde o conceito teve a sua origem. enquanto os nossos municípios continuam a dormir na forma, como sempre... Ficam no entanto as perguntas as perguntas, mas afinal o difuso é bom ou mau? Quais as suas características, e vantagens ou desvantagens?
 Muitos autores criticam este modelo difuso pois apresenta elevados custos, pois é gerador de subúrbios de baixa densidade populacional, e como tal grandes consumidores de solo, acumulando grandes prejuízos ambientais, isto para alem do aumento do tráfego automóvel e todas os seus maléficos inerentes ao mesmo. Gerando perdas de qualidade de vida e gastos excessivos por parte das autarquias, e dos próprios automobilistas.
 Alguns defendem o difuso argumentando com isto que os estudos não foram bem feitos, e que a densidade populacional nos centros urbanos que é similar a das periferias. 
Agora é inevitável a questão, se o difuso teve origem nos Estados Unidos, apresentando uma tipologia um pouco diferente do Vale do Ave, de que modo elas se cruzam e onde divergem? E a resposta parece simples, tendo elas origens diferentes, também o serão de facto no seu conteúdo. Mas para isso e necessário analisar os dois tipos e conjuga-las com outros fenómenos a nível Europeu e nacional
Desde o final do século XIX que a problemática provocada pelo crescimento e pelo crescimento e densificação do urbano, impulsionaram a busca de modelos urbanos de baixa densidade populacional. A cidade jardim de Howard, que deixou as suas marcas um pouco por toda a Europa e E.U.A.
O desenvolvimento acelerado da indústria automóvel ao longo do século eliminou as inconveniências que o habitar fora dos perímetros urbanos poderia acarretar, sendo que possivelmente o maior problema da urbanização difusa se verificou nos Estados Unidos da América, onde a relativa baixa densidade do seu território era uma constante.
 Quanto ao caso português, nos últimos quinze anos, as dinâmicas do padrão territorial Português, tem-se vindo a caracterizar por três processos importantes genericamente descritos por metropolização; litoralização; e o reforço de um conjunto de pequenos centros urbanos. A metropolização corresponde ao grande poder de atracção produzido pelas áreas metropolitanas do Porto e Lisboa, onde se concentram a volta de 40% da população Portuguesa. Por sua vez a litoralização caracteriza-se por uma concentração demográfica ao longo da linha costeira Atlântica, que se estende desde Setúbal ate Viana do Castelo e costas algarvias. O terceiro processo é o reforço de pequenos centros urbanos distribuídos por uma grande região geográfica. Esta caracteriza-se por recuos demográficos, desertificação e envelhecimento, e enfraquecimento da população e dos tecidos empresariais. Também é caracterizada por debilidades no tecido urbano, e baixa densidade populacional que J. Ferrão classifica por Arquipélagos.
No que diz respeito ao vale do Ave e a urbanização difusa, pode dizer-se que alem de serem processos difusos de urbanização também o são de industrialização. Um pouco na linha dos distritos industriais em Itália, no entanto a que é que se deve a raiz difusa Do Ave?
A primeira razão é de raiz socioeconómica, avaliando os modos de organização flexível dos sistemas produtivos locais, que se centra muito no sector têxtil, e este nas suas raízes necessita fortemente de agua abundante, logo a sua localização terá que o ser junto de linhas de água, que se centrou nos padrões de urbanização típicos dos territórios de industrialização difusa. A herança histórica de uma matriz de povoamento disperso, e de um extremo parcelamento da propriedade rural, a densidade e uma falta clara de uma hierarquização viária, a herança artesanal dos processos industriais e o modelo disperso de industrialização herdado do século XIX, as novas lógicas de localização industrial, a ausência de politicas de zonamento industrial, a existência de um modelo industrial de crescimento extensivo forte gerador de empregos de mão de obra não qualificada e um nível de competitividade baseado na diferença de baixos custos salariais, os processos espontâneos de urbanização, a dupla ocupação entre agricultura e industria e o défice de centralidade dos centros urbanos. 
Então pode-se afirmar que a problemática da inoperância da dicotomia campo-cidade, a tipificação de um modelo industrial difuso, onde a maioria da população e industrias se localizam fora das cidades ou seja nos espaços entre cidades.
Assim a dicotomia anteriormente descrita se traduziam numa série de pressupostos que condicionam a problemática do modelo territorial, os estudos e politicas que estas haviam seguido. Como resultado deu-se a descoberta de uma urbanização frágil e de distritos industriais frágeis e pouco resistentes aos processos de internacionalização e a fragilidade do sistema urbano difuso. 

Fica Prometido para breve mais considerações sobre a temática em questão...

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